
Thais Rocha
Sou professora adjunta de História Antiga na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde dirijo o Núcleo de Egiptologia Brasileira (NEB) e o Laboratório do Antigo Oriente Próximo (LAOP). Sou docente permanente do Programa de Pós-Graduação em História da UFMG e professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade de São Paulo (USP). Sou também Research Fellow do Harris Manchester College, da Universidade de Oxford, e, desde 2026, membro da equipe HASAÉ e pesquisadora associada (chercheuse associée) do laboratório ArScAn (UMR 7041, CNRS).
Sou doutora em Egiptologia (DPhil) pela Faculty of Oriental Studies da Universidade de Oxford (St Benet's Hall). Entre 2020 e 2024, fui pesquisadora de pós-doutorado na USP, com financiamento da FAPESP. Em 2023, fui pesquisadora visitante no Netherlands Institute for the Near East (NINO), da Universidade de Leiden, e no Instituto Arqueológico Austríaco, em Viena, e Visiting Research Fellow no McDonald Institute for Archaeological Research, da Universidade de Cambridge.
Coordeno, com Linda Hulin, o projeto Being Egyptian: Dwelling Practice in the Nile Valley and Beyond, em parceria com a Egypt Exploration Society, e dirijo o Mudraya, grupo de trabalho franco-brasileiro sobre o Egito no período persa, em colaboração com o CNRS, a UERJ e a USP.
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Minha pesquisa investiga como as pessoas no Egito antigo concebiam, organizavam e vivenciavam o espaço doméstico. Meu doutorado (Oxford, 2020) examinou a Vila de Trabalhadores de Amarna a partir de uma abordagem de orientação antropológica, perguntando como a privacidade e as relações sociais eram negociadas nas casas e na comunidade. Hoje amplio esse trabalho no tempo e no espaço: dos assentamentos do Reino Novo às comunidades egípcias que viviam fora do Egito e ao Egito sob domínio persa.
Minha abordagem combina arqueologia doméstica, estudos de cultura material, arqueologia sensorial e etnografia, com atenção ao gênero como elemento estruturante da vida doméstica. Interessa-me sobretudo compreender como a esfera doméstica era construída socialmente por meio de práticas, objetos e espaços cotidianos, e desenvolver métodos para estudar casas cujos vestígios materiais são, muitas vezes, fragmentários. Meu projeto de pós-doutorado, "Espaço doméstico no Egito antigo: experiência sensorial e negociações em terras estrangeiras" (USP/FAPESP, 2020-2024), explorou as práticas sociais e as dimensões sensoriais das casas, incluindo o modo como a identidade egípcia era vivida e mantida entre estrangeiros.
Integrei o Amarna Project entre 2017 e 2024 e coordeno, com Linda Hulin (Universidade de Oxford), o projeto Being Egyptian, sediado no Harris Manchester College, em Oxford, e na UFMG, em parceria com a Egypt Exploration Society, com a participação da Universidade de São Paulo. Dirijo também o Mudraya, grupo de trabalho franco-brasileiro sobre o Egito no período persa. Paralelamente, pesquiso a história da Egiptologia, com foco nas questões de gênero e no desenvolvimento do campo no Brasil.

Bio
Meu caminho até a Egiptologia começou na Universidade de São Paulo (USP), onde me graduei em História (2001), com ênfase em História Antiga e Arqueologia. Em seguida, fiz o mestrado no Departamento de Letras Orientais da USP, com uma dissertação sobre relações de gênero no Egito ptolomaico (332-30 a.C.) a partir de cartas gregas e demóticas. Nesse período, fui pesquisadora visitante no Oriental Institute de Chicago (2009) e realizei estágios de pesquisa no Reino Unido (2011 e 2013), quando comecei a trabalhar com colegas do British Museum, da University College London, da Universidade de Oxford e da Egypt Exploration Society. Essas experiências me levaram a Oxford para o doutorado.
Em 2020, voltei ao Brasil como parte do compromisso vinculado à minha bolsa de doutorado do CNPq. O que começou como uma exigência tornou-se uma das fases mais gratificantes da minha carreira: pude trabalhar de perto com colegas brasileiros e contribuir para a construção do campo no país, por meio do ensino, da orientação de estudantes, da escrita e de ações de divulgação. Desde 2024, sigo esse trabalho como professora da UFMG. Mantendo os vínculos com Oxford e com projetos internacionais, vejo meu papel como o de construir pontes entre duas realidades acadêmicas muito diferentes, e espero continuar fortalecendo essas conexões.
O ensino sempre esteve no centro do que faço. Antes da carreira acadêmica, trabalhei por muitos anos como professora de História em escolas brasileiras e como educadora no Museu de Arte de São Paulo (MASP), além de colaborar na elaboração de materiais didáticos para diversas editoras. Em Oxford, ensinei arte e história egípcias e a arqueologia de Amarna, experiência que hoje levo aos meus estudantes na UFMG.

Projetos em andamento
Escavações
Oficinas de vidro e faiança. Complexto Doméstico M50 14-16. Amarna Project.
Outono 2017, 2018
Escavação e documentação do complexo M50 14-16 sob coordenação da Dr Anna Hodgkinson. Registro e digitalização de artefatos encontrados (catalogação e fotografiade objetos de vidro e faiança, digitalização de planos utilizando GIS).
Tumbas do Cemitério Norte. Amarna Project.
Primavera, 2017
Escavação e documentação de enterramentos não-elite sob coordenação da Dr. Anna Stevens.
East Devon Pebblebeds Project
2011
Escavação e registro de artefatos funerários pré-históricos sob coordenação do Prof. Christopher Tilley (UCL).
Apresentações Recentes
Seleção (Em Português)
Onde a vida acontece. Casas, coisas e práticas no Egito antigo (convidada)
Historias y materialidades en el Antiguo Egipto. Universidade de Buenos Aires, 2026.
Mudraya. Grupo de Trabalho Colaborativo Franco-Brasileiro. Resultados Preliminares de uma colaboração internacional
VIII Congresso Iberoamericano de Egiptologia, Universidade Autonoma de Barcelona, 2026.
O Egito Antigo na era digital: uma nova roupagem para velhos problemas? (convidada)
Ciclo de Estudos Lephama: Antiguidades e Medievalidades Digitais, UEMG, 2025.
A presença aquemênida no Egito e sua influência na comunidade judaíta (convidada)
A influência persa/aquemênida na teologia judaíta do pós-exílio. PUC/Curitiba, 2025

Ensino
História Antiga
Desde 2024, UFMG.
A disciplina apresenta os principais debates sobre as sociedades antigas da Mesopotâmia, do Egito faraônico, da Grécia arcaica e clássica, do mundo persa, do Levante, da Núbia e de Roma, da formação das sociedades complexas à Antiguidade Tardia. Discute criticamente conceitos fundamentais do estudo do mundo antigo e o próprio lugar da História Antiga no Brasil, encerrando com as apropriações contemporâneas da Antiguidade. As aulas combinam exposição, seminários de análise de fontes (textos, imagens e vestígios arqueológicos) e discussão bibliográfica. Os estudantes também produzem planos de aula e analisam livros didáticos, aproximando a pesquisa do ensino na educação básica.
Introdução à Arqueologia e aos Estudos da Cultura Material
Desde 2024, UFMG
A disciplina apresenta a arqueologia e os estudos da cultura material numa perspectiva histórica, com seus principais debates teórico-metodológicos e diálogos com a história e a antropologia. Percorre o colecionismo dos séculos XVIII e XIX, as relações entre arqueologia e impérios nacionais, os museus e os debates sobre descolonização, as biografias dos objetos, a agência e o material turn. Discute também a prática arqueológica, a arqueologia feminista e queer, o espaço como cultura material, o patrimônio, a fotografia, a arqueologia pública e as representações da arqueologia na televisão. Os estudantes produzem entradas de catálogo de museu, vídeos ou podcasts e registros de trabalho de campo.
Cultura material e Egito antigo: estudos e debates
Desde 2024, UFMG.
A disciplina explora a história e a sociedade do Egito antigo por meio da cultura material, problematizando as narrativas construídas pela Egiptologia, que historicamente privilegiou os textos e os vestígios monumentais e funerários. Organizado em cinco blocos, o curso parte da formação da Egiptologia e da teoria da cultura material e passa pelas fontes, pela escrita e pelos museus. Em seguida, trata da religião e do mundo funerário, da sociedade e do cotidiano (grupos subalternos, arqueologia da casa, gênero, relações entre Egito e Núbia) e chega à Egiptomania e às apropriações contemporâneas do Egito antigo. A disciplina também discute o ensino do Egito antigo na educação básica. As aulas combinam exposição, estudos de caso e seminários de análise de fontes. Entre as avaliações estão a redação de um verbete de enciclopédia e a produção de um vídeo documentário.
Laboratório do Ensino de História: A História Antiga na Sala de Aula
Desde 2024, UFMG
A disciplina discute por que e como ensinar História Antiga na educação básica, articulando pesquisa acadêmica, currículo e prática docente. Analisa o lugar da Antiguidade nos livros didáticos e na BNCC e propõe abordagens renovadas, como a Antiguidade conectada e a história global, o uso de fontes escritas e da cultura material em sala de aula, os grupos subalternos, a história das mulheres e o gênero. Também trata das relações entre o mundo antigo e o texto bíblico, da violência, do mundo digital e das apropriações contemporâneas da Antiguidade. Os estudantes desenvolvem estratégias de ensino, elaboram atividades com fontes primárias e realizam estudos do meio e visitas a museus.
Espaço doméstico e cultura material: vertentes e debates (FLH5640, disciplina de pós-graduação)
Setembro-Outubro, 2022
Apresentar as principais discussões a respeito das definições e problemas metodológicos referentes às pesquisas sobre o espaço doméstico dentro dos Estudos de Cultura Material e seus recortes interdisciplinares. Pretende-se traçar um percurso cronológico do desenvolvimento destes debates e discutir o tema a partir de outros eixos, como, por exemplo, arqueologia, história dos sentidos, estudos de gênero e teoria da prática. O recorte cronológico e geográfico desta disciplina é amplo a fim de ressaltar o debate teórico-metodológico do campo. Através de estudos de caso, a disciplina busca instrumentalizar os/as estudantes para a análise de fontes associadas ao espaço doméstico em conjunto com a leitura crítica da produção acadêmica sobre o tema.
Arqueologia (FLH0630 - FFLCH/USP)
2021-2022
Apresentar a Arqueologia e os estudos da cultura material a partir de uma perspectiva histórica, contemplando os principais debates teórico-metodológicos e os seus desdobramentos interdisciplinares, sobretudo na História, Arqueologia e Antropologia.
Questões de Gênero: Feminino e Masculino no Egito Antigo
15, 22, 29 de Março, 5 de Abril
Este Curso visa refletir sobre as noções de feminino e masculino no Egito antigo, debatendo a utilização do conceito de gênero para o estudo das sociedades antigas. Vamos examinar as representações de homens e mulheres na Arte egípcia, assim como no contexto funerário, textos e monumentos em diferentes períodos da história egípcia, destacando também como essas informações foram interpretadas pela Egiptologia. Com este estudo, podemos conceber mais detalhadamente a vida de homens e mulheres egípcias em seus diversos contextos sociais, como família, trabalho, religião e sexualidade.
Assim, discutiremos aspectos importantes da História das Mulheres e dos Estudos de Gênero que podem nos ajudar a repensar antigas interpretações do material egípcio e como a Egiptologia vem revisitando essas interpretações. Por fim, pretende-se discutir também de que maneira a nossa cultura mediática cria e reforça estereótipos sobre os antigos egípcios, sobretudo na sua relação com a história africana.
O Egito antigo. Arqueologia e História da Arte
16, 23 novembro, 01 e 08 de dezembro de 2020, das 20:00 às 22:00
Este Curso online visa apresentar e debater a ideia de ‘arte egípcia’, a partir da formação da Egiptologia como campo de pesquisa no mundo ocidental. Apontaremos as principais características da produção imagética e material da sociedade egípcia a partir das suas fontes primárias, discutindo os contextos específicos em que foi produzida e como foi apropriada ao longo do século XX pela História e pela História da Arte
Introdução ao Egípcio Clássico (Egípcio Médio)
Setembro - Novembro, 2020
Em parceria com o Dr. Ronaldo Gurgel Pereira, ministro o curso de Introdução ao Egípcio Clássico (Egípcio Médio). O curso é oferecido pela Universidade Federal de Santa Catarina e pelo GTHA/ANPUH. É o primeiro curso online oferecido no Brasil que inclui pesquisadores e professores de todo o Brasil e Argentina.
Amarna
2019
Tenho ministrado aulas e cursos sobre a arqueologia e a história de Amarna a partir de uma perspectiva interdisciplinar. Meu foco é na cultura material e na arqueologia dos assentamentos. Ministrei com a Profa. Dra. Christina Geisen o módulo especial sobre Amarna para o curso de graduação em Egiptologia na Universidade de Oxford.
Egípcio Avançado (com Ronaldo Gurgel Pereira)
Abril - Agosto de 2021
O curso é oferecido pela Universidade Federal de Santa Catarina e pelo GTHA/ANPUH. É o primeiro curso online oferecido no Brasil que inclui pesquisadores e professores de todo o Brasil e Argentina.
O Gênero e suas abordagens na História Antiga, Arqueologia e Geopolítica.
12/04/2021 a 28/04/2021
O curso tem como objetivo apresentar e discutir a atualidade das abordagens de gênero nas áreas da História Antiga, Arqueologia e Geopolítica. Como campo de pesquisa interdisciplinar, o gênero se beneficia de metodologias de diferentes disciplinas das humanidades, reforçando a diversidade da experiência social humana. Nesse sentido, o curso objetiva debater abertamente as abordagens de gênero utilizadas nas Ciências Humanas, por meio da compreensão das contribuições desses estudos a partir de seus usos na História Antiga, na Arqueologia e na Geopolítica. Desta forma, os contatos entre essas três áreas de estudos serão explorados como meio de demonstrar a riqueza e pertinência dos Estudos de gênero para o entendimento de questões a serem respondidas, e que envolvem a problematização de conceitos e estruturas políticas. Sob coordenação da Profa Dra Sarah Azevedo (FFLCH/USP). Ministrado em conjunto com os Profs. Taís Pagoto Belo, Juliana Magalhães, Fabrício Sparvoli, Thais Rocha da Silva e Ginneth Pulido Gomez.
Arte e História do Egito antigo
2019
Como parte das disciplinas 'Arte e Arquitetura' e 'História e Civilização', sob coordenação da Profa. Dra. Elizabeth Frood, ministrei aulas e tutoriais sobre temas que incluíam vida cotidiana, religião e história do Egito antigo. Em Oxford, dei aulas e tutoriais para alunos de mestrado e da graduação.
Publicações
Seleção (em Português)
A Reconstrução das Casas Egípcias e os Desafios de Gênero na Egiptologia
2025
Este artigo aborda criticamente a associação das mulheres ao espaço doméstico no Egito antigo, analisando as reconstruções das antigas habitações feitas pela Egiptologia. O estudo se concentra no título nbt-pr e nas evidências arqueológicas das residências, especialmente das vilas de trabalhadores em Amarna e Deir el-Medina durante o Reino Novo (c. 1539-1075 AEC). Destaca-se a diversidade das habitações nesses contextos e a complexidade do material arqueológico, que não apoia a visão das mulheres confinadas dentro das residências. Além disso, o texto explora as limitações e as possibilidades dos estudos de gênero na Egiptologia para elucidar os modelos explicativos da vida doméstica e os vieses interpretativos que fundamentaram o processo de reconstrução das casas nesses assentamentos.
O Conto do Náufrago (P. Hermitage 1115) (com Ronaldo Gurgel Pereira)
2023
Esta é a primeira tradução do conto em língua portuguesa que contém os sinais hieróglifos, a transliteração e a tradução comentada. O papiro Hermitage 1115 contém uma das composições literárias mais completas do período faraônico. O texto apresenta a narrativa sobre um marinheiro que naufraga em uma ilha fantástica e, depois de retornar ao Egito, tem a oportunidade de contar sua história na sua velhice. Neste artigo, trazemos uma tradução comentada do Conto do Náufrago, com o texto hieroglífico, a transliteração e sua contextualização histórica atualizada sobre a geopolítica egípcia durante o Reino Médio (c. 2055-1650 AEC). Um glossário egípcio-português conclui a obra.
As dimensões da História Antiga na Historia Pública: a Antiguidade e seus públicos no Brasil
2022
O artigo discute as iniciativas de lidar com o tema da antiguidade e da história pública. Apresentamos alguns projetos em andamento no Brasil e examinamos as possibilidades do campo para ampliar a divulgação dos conteúdos.
Novas abordagens sobre a arqueologia doméstica na Vila de Trabalhadores em Amarna
Revista Roda da Fortuna 9 (2) (2021)
A Vila de Trabalhadores em Amarna foi estudada a partir de enquadramentos que privilegiaram a unidade habitacional da casa, em geral a partir da estrutura arquitetônica e do agrupamento de artefatos e instalações em seu interior. No século XX, a casa foi tratada pela Egiptologia como um container de atividades e relações sociais e em muitos casos descrita como uma ‘casa de bonecas’, com foco nos espaços internos e nas atividades desempenhadas em cada cômodo. Este artigo problematiza estes modelos explicativos, pautados numa experiência doméstica ‘europeia ocidental’, a partir de referências etnográficas e apresentando uma perspectiva holística sobra vila amarniana
O ensino da língua egípcia clássica no Brasil: desafios e possibilidades usando recursos digitais.
Revista Linha d'Água 34(2) (2021)
Este artigo apresenta os resultados iniciais de um projeto mais amplo sobre o ensino da língua egípcia no Brasil por meio de recursos digitais. Examinamos a primeira etapa através do curso Introdução ao Egípcio Clássico (Egípcio Médio), o primeiro curso online de ensino da língua egípcia no Brasil, tendo em vista a desafiadora realidade para a formação de egiptólogos no país. A partir do debate das Humanidades Digitais, que problematiza a produção e a divulgação do conhecimento nas ciências humanas com recursos tecnológicos, apontamos possíveis caminhos para a expansão deste projeto no cenário brasileiro. Neste escopo, a discussão sobre as plataformas digitais e o ensino de história antiga no Brasil entram como elementos importantes na contextualização desta iniciativa.
Os Lares dos vivos do Egito antigo
Blog Subalternos da Antiguidade. A História Antiga a partir de baixo (27/4/2021)
Ao se falar do Egito, é inevitável não pensar nas múmias e pirâmides. Parece que tudo o que chega a nós dessa civilização parece se referir apenas ao mundo dos mortos, como se o Egito fosse um grande cemitério. Mas como era o Egito dos “vivos”? Suas casas e cidades? Esse Egito “dos mortos” exclui a grande maioria dos egípcios. Só um grupo muito restrito e privilegiado tinha o letramento e o status social para ser mumificado e enterrado em tumbas sofisticadas. Como viveram as pessoas comuns?
Fronteiras da Egiptologia: orientalismo, helenização e estudos de gênero.
Tiraz (USP), v. 8 (2016), p. 42-57.
A Egiptologia e dos estudos sobre o Egito antigo não podem ser compreendidos fora de uma perspectiva histórica. As discussões sobre o orientalismo a partir da obra de Edward Said e sua crítica permitem historicizar o processo de institucionalização da Egiptologia nas universidades e museus. A escolha das fontes, a constituição de modelos teóricos e metodológicos tem sua historicidade constituída num momento em que a Europa se projeta como modelo de civilização a partir dos grandes impérios do século XIX. Neste artigo discuto como esses modelos de história constituíram um Egito antigo dentro e fora dos círculos intelectuais determinando seu lugar na história ocidental e o modo pelo qual os seus sujeitos históricos serão analisados e compreendidos.
A senhora da casa ou a dona da casa? Construções sobre gênero e alimentação no Egito Antigo
Cadernos Pagu 39 (2012). Dossiê Gênero e Alimentação.
Podcasts
Falo sobre a minha trajetória acadêmica, Egiptologia e um pouco sobre as pesquisas que tenho desenvolvido no Brasil e no exterior.
Perfis da História
Entrevista com Thais Rocha
Olá, ouvintes!
Confiram no episódio de hoje a conversa que tivemos em 2022 com a professora doutora Thaís Rocha da Silva, que ministrou a disciplina de Arqueologia por dois semestres, como parte de uma bolsa do seu pós doutorado, aqui no Departamento de História da USP. Nessa entrevista, Thaís nos conta sobre seu período de graduação na FFLCH, seu interesse pela Egiptologia, experiência com docência, como foi dar aulas no Departamento no período da COVID-19, especialização fora do Brasil e muito mais. Gostaríamos de agradecer à professora pela oportunidade e pela conversa incrível.
Ficha técnica:
Duração: 1:17:51
Entrevistadoras: Isabela Neves Campiolo e Natalia Dutra
Edição: Isabela Neves Campiolo
Amarna
Ithaca Bound
In the 14th century BCE, Pharaoh Akhenaten controversially moved the capital of Egypt to Amarna (what contemporaries called Akhetaten). Dr Thais Rocha da Silva, Departmental Lecturer, History Department, University of São Paulo, and Research Fellow, Harris Manchester College, University of Oxford, joins the show to talk about what the city was like.
Fazendo a Egípcia: gênero feminino entre o público e o privado no Egito Antigo
Teta de Sócrates
Nesse episódio as historiadoras Sarah Correia (UFF) e Juliana Magalhães (Labeca - MAE/USP) batem um papo com a egiptóloga Thais Rocha. A pesquisadora reflete sobre a importância em se pensar as diversas e complexas acepções do que é considerado espaço público e espaço privado no Egito e como a arqueologia pode ajudar a pensar o papel da mulher a partir da análise do cotidiano de uma vila de trabalhadores. Thais fala também sobre sua trajetória como pesquisadora no Brasil e na Inglaterra e reflete sobre as possibilidades de se pensar uma nova egiptologia a partir dos estudos de gênero.

Na Mídia

Tae Kwon Do
Pratico taekwondo desde 2008, e ele faz parte da minha vida desde então. Nos anos em Oxford, foi o que me manteve concentrada, saudável e equilibrada durante o doutorado. Por três anos, integrei a equipe da universidade que enfrentava Cambridge no Varsity Match, uma das rivalidades esportivas mais antigas do mundo. Lutando ao lado da equipe de Oxford, tive o orgulho de contribuir para vitórias e de receber dois Oxford Blues, a mais alta distinção esportiva da universidade.
O taekwondo me ensinou disciplina, resiliência e o valor do trabalho em equipe, lições que levo para a pesquisa e para a docência. Ele também me lembra que o aprendizado não acontece só nos livros, mas pelo corpo, pela prática e pelas pessoas com quem a compartilhamos.

St Benet's Hall
Fui parte do primeiro grupo de alunas do St Benet's Hall. Participei da criação da Graduate Society onde atuei como presidente por dois anos. Estabelecemos a Graduate Study Room em Norham Gardens. O prédio, adquirido pelo college, foi residência do Prof. F. L. Griffith, quem criou o departamento de Egiptologia na Universidade de Oxford. Foi uma parte importante da minha experiência acadêmica ter ajudado a implementar um espaço produtivo e de apoio aos alunos de pós-graduação, além de organizar a primeira série de seminários do college.

O LADO NERD DA FORÇA
Sempre fui fã de ficção científica. Assistir a filmes e séries e ler sobre outros universos me ajuda a pensar a experiência humana: como vivemos, como nos relacionamos com a tecnologia, com o tempo e com quem é diferente de nós. Talvez por isso a ficção científica tenha se tornado também uma companheira de pesquisa.
O mundo antigo e a ficção científica têm mais em comum do que parece. Ambos nos convidam a imaginar outros mundos, outros corpos e outras formas de viver, e ambos revelam tanto sobre quem os imagina quanto sobre o que é imaginado. Não por acaso, a Antiguidade aparece com frequência na ficção científica: impérios galácticos inspirados em Roma, heróis que retomam mitos gregos, civilizações perdidas como Atlântida e, com destaque, o Egito antigo, muitas vezes apresentado como origem misteriosa da humanidade ou como uma sociedade tão extraordinária que só poderia ter vindo das estrelas.
No meu trabalho, aproximo a ficção científica da antropologia, da história e da arqueologia de duas maneiras. Ela é objeto de estudo: analiso como essas narrativas se apropriam do passado antigo e reproduzem, ou questionam, mitos de origem, visões de progresso e olhares coloniais. E é também ferramenta para pensar: conceitos nascidos na ficção, como o ciborgue, ajudam a refletir sobre corpos, tecnologias e identidades nas sociedades antigas e a questionar as categorias com que olhamos para o passado.
Essa combinação é ainda uma forma de aproximar a pesquisa do público. A ficção científica desperta curiosidade, provoca perguntas e lembra que estudar a Antiguidade é, no fundo, um exercício de imaginação rigorosa sobre como poderia ter sido viver de outra maneira.

PRIMEIRA MULHER A RECEBER O TÍTULO DE DOUTORA NO ST BENET'S HALL (OXFORD)
Fui a primeira mulher a receber o DPhil (Doctor of Philosophy) numa instituição beneditina desde a fundação da Universidade de Oxford.

Get in Touch
Harris Manchester College. Mansfield Rd, Oxford OX1 3TD, United Kingdom









